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Gestão · 10 min

Como preparar o carro para uma viagem longa

Preparar o carro para viagem longa começa quinze dias antes, não na véspera. O que pedir na revisão, como checar pneus e sulco mínimo, o que a lei exige levar, o que conferir na véspera e os sinais de alerta para reconhecer na estrada antes que virem problema.

Equipe AutoBaze

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Como preparar o carro para uma viagem longa

Como preparar o carro para uma viagem longa

10 min de leitura

A maioria das panes de estrada não acontece por azar. Acontece porque o carro já dava sinal na cidade, só que na cidade o problema era pequeno: trânsito parado, velocidade baixa, oficina a cinco minutos.

Estrada muda tudo. Motor trabalhando em rotação constante por horas, carro carregado, temperatura alta, pneu quente, e o socorro mais próximo a oitenta quilômetros. O que era chateação vira acostamento.

A boa preparação não é complicada. Só precisa começar no tempo certo.

Regra número um: comece quinze dias antes

Deixar a revisão para a véspera é o erro mais comum e o mais caro. Por dois motivos.

Primeiro: se a oficina encontrar algo que exige peça, você descobre na sexta à noite que a correia precisa ser trocada e a peça só chega na terça. Ou você cancela a viagem, ou viaja rezando.

Segundo: alguns serviços pedem rodagem antes da viagem. Pastilha nova precisa de assentamento. Alinhamento precisa ser conferido depois de alguns quilômetros. Óleo trocado merece uma checagem de nível dias depois.

Monte o calendário assim:

Quando

O que fazer

15 dias antes

Revisão na oficina

7 dias antes

Resolver o que a revisão apontou

3 dias antes

Rodar um pouco e sentir se está tudo normal

Véspera

Conferência própria e calibragem

O que pedir na revisão

Chegar na oficina e dizer "vou viajar, dá uma olhada" é vago demais. Peça a verificação por sistema. Um bom mecânico vai cobrir tudo isso:

Arrefecimento

É o sistema que mais derruba carro na estrada, porque o calor do motor em rotação constante não perdoa folga.

  • Nível e estado do líquido de arrefecimento

  • Radiador limpo, sem obstrução de insetos e folhas nas colmeias

  • Mangueiras: ressecamento, rachadura, inchaço, abraçadeiras firmes

  • Válvula termostática e funcionamento da ventoinha

  • Tampa do reservatório, que precisa segurar a pressão correta

Um detalhe que muita gente ignora: nunca complete o radiador com água comum para "quebrar o galho". O aditivo tem função anticorrosiva e altera o ponto de ebulição.

Freios

  • Espessura das pastilhas e estado dos discos

  • Nível e validade do fluido de freio, que é higroscópico e absorve umidade com o tempo

  • Vazamento em mangueiras e cilindros

  • Freio de estacionamento

Se as pastilhas estão no limite, troque antes. Serra com carro carregado exige muito mais do freio do que o seu trajeto de sempre.

Pneus e suspensão

Está na seção seguinte, porque merece atenção separada.

Motor e transmissão

  • Nível e estado do óleo do motor, e a quilometragem em relação à próxima troca

  • Filtros de óleo, ar e combustível

  • Correia dentada ou corrente de comando, conforme o prazo do seu modelo

  • Correia do alternador e tensores

  • Vazamentos visíveis

  • Velas, se estiverem próximas do prazo

Sobre o óleo: se a viagem vai consumir boa parte do intervalo restante, antecipe a troca. É mais barato trocar antes do que procurar oficina em cidade desconhecida no meio do feriado.

Elétrica

  • Teste de carga da bateria, não só a voltagem. Bateria fraca segura na cidade e falha quando você desliga o carro no posto, a 400 km de casa.

  • Terminais limpos e apertados

  • Alternador carregando corretamente

  • Faróis, lanternas, luz de freio, setas e pisca-alerta

  • Palhetas do limpador e nível do reservatório de água

Palheta é item de segurança, não de conforto. Chuva forte na estrada com palheta ressecada tira sua visibilidade por completo.

Ar-condicionado

Não é luxo em viagem longa. Motorista com calor cansa antes, e cansaço é causa de acidente. Verifique o gás e troque o filtro de cabine se estiver sujo.

Pneus: o item que mais importa

De tudo que você vai checar, o pneu é o que mais influencia a chance de acidente grave. Quatro pontos.

Sulco

O limite legal de profundidade é 1,6 mm. Abaixo disso, o pneu está careca perante a lei e perigoso na prática, porque perde a capacidade de escoar água e aumenta muito o risco de aquaplanagem.

Os pneus têm marcadores de desgaste no fundo dos sulcos, chamados TWI. Quando a borracha do sulco chega ao nível desses ressaltos, o pneu atingiu o limite. Se a sua viagem tem previsão de chuva, não vá com pneu no limite. Estrada molhada a 100 km/h com pneu gasto é onde acontecem os capotamentos.

Calibragem

Calibre com os pneus frios, seguindo a pressão indicada pelo fabricante, que fica na etiqueta da coluna da porta do motorista ou no manual. Para viagem com carro carregado e porta-malas cheio, muitos fabricantes indicam uma pressão maior. Essa informação está na mesma etiqueta.

Pneu abaixo da pressão em alta velocidade esquenta demais, deforma a lateral e é a principal causa de estouro em rodovia.

Estepe

Aqui está o erro clássico: as pessoas calibram os quatro pneus e esquecem o quinto. Estepe murcho é estepe inútil.

Calibre o estepe junto com os demais e confira o estado dele. Se for estepe temporário, o do tipo fino, lembre que ele tem limite de velocidade próprio, geralmente 80 km/h, e serve para chegar até a borracharia, não para seguir viagem.

Confira também macaco e chave de roda. Ferramenta enferrujada ou faltando transforma um pneu furado em guincho.

Idade e estado

Pneu envelhece mesmo parado. Procure o código DOT na lateral: os quatro últimos dígitos indicam a semana e o ano de fabricação. Pneu com muitos anos costuma apresentar ressecamento e micro rachaduras na lateral, mesmo com sulco bom.

Verifique ainda bolhas, cortes e desgaste irregular. Desgaste só de um lado indica problema de alinhamento ou suspensão, e vale corrigir antes de rodar mil quilômetros.

Alinhamento e balanceamento

Se o volante puxa, vibra ou treme em determinada velocidade, resolva antes. Na cidade é incômodo. Em quatro horas de estrada, é fadiga do motorista e desgaste acelerado.

O que a lei exige que você leve

Vale saber o que é obrigatório de verdade, porque circula muita informação errada sobre isso.

Pela Resolução CONTRAN nº 912/2022, o extintor de incêndio é facultativo para veículos de passeio desde 2022, e segue obrigatório para caminhões, ônibus e veículos de transporte de inflamáveis. Muita gente ainda compra extintor achando que leva multa sem ele.

Já são exigidos, e esses sim:

  • Estepe em condições de uso, junto com macaco e chave de roda. Veículos com pneu run flat ou kit de reparo homologado pelo fabricante podem dispensar o estepe físico, desde que o kit esteja dentro da validade.

  • Triângulo de sinalização homologado e com boa refletividade

  • Cintos de segurança em todos os assentos, retrovisores nos dois lados, limpadores funcionando, buzina e para-choques

Circular sem equipamento obrigatório é infração grave, prevista no artigo 230, inciso IX, do CTB, com multa de R$ 195,23 e 5 pontos na CNH.

Sobre o uso do triângulo em caso de pane: pelo artigo 278 do CTB, em perímetro urbano a sinalização deve ficar a pelo menos 30 metros da traseira do veículo. Em rodovia, a orientação técnica é usar uma distância em metros equivalente à velocidade da via, ou seja, cerca de 100 metros numa pista de 100 km/h, para dar tempo de reação a quem se aproxima.

O que levar além do obrigatório

Não é exigência legal, mas resolve a maioria dos apertos:

  • Documento do veículo e CNH em dia, físicos ou no aplicativo oficial

  • Carregador de celular e, de preferência, um cabo reserva

  • Lanterna

  • Água e algo para comer

  • Colete refletivo, que faz diferença enorme se você precisar sair do carro no acostamento à noite

  • Cabo de chupeta ou uma bateria portátil de partida

  • Kit de primeiros socorros simples

  • Um litro do óleo que o seu motor usa

  • Dinheiro em espécie, porque tem pedágio e posto onde o sistema cai

Se viaja com criança, confira também se a cadeirinha está bem fixada e adequada à idade e ao peso.

Na véspera: a conferência que você mesmo faz

Reserve vinte minutos. Com o carro frio e em local plano:

  1. Nível do óleo do motor pela vareta

  2. Nível do líquido de arrefecimento no reservatório, com o motor frio

  3. Nível do fluido de freio

  4. Água do limpador, e teste das palhetas

  5. Calibragem dos quatro pneus mais o estepe

  6. Todas as luzes, pedindo para alguém confirmar as de freio e as de ré

  7. Macaco, chave de roda e triângulo no lugar

  8. Combustível para sair de casa sem depender do primeiro posto

Faça também uma arrumação inteligente do porta-malas. Peso mais pesado embaixo e mais próximo do eixo traseiro, nada solto no banco de trás, e não bloqueie a visão pelo retrovisor interno. Objeto solto vira projétil em frenagem forte.

Na estrada: sinais que pedem parada imediata

Prepare o carro bem e mesmo assim preste atenção nestes sinais, que exigem parar em local seguro:

  • Temperatura subindo no painel. Não insista. Pare, desligue e espere esfriar antes de abrir qualquer tampa.

  • Luz de óleo acesa. Continuar rodando pode significar motor fundido em minutos.

  • Cheiro de queimado ou fumaça de qualquer cor

  • Barulho novo, principalmente metálico, que aparece e aumenta com a velocidade

  • Volante vibrando de repente, que pode indicar problema de roda ou pneu

  • Pedal de freio baixo ou esponjoso

  • Puxada forte para um dos lados

Além do carro, cuide de quem dirige: pare a cada duas horas, revese a direção quando possível, evite dirigir no horário em que você normalmente dorme e não conte com café para compensar noite mal dormida.

Perguntas frequentes

Preciso mesmo fazer revisão se o carro está novo e em dia? A revisão completa talvez não, mas a conferência de itens de desgaste e de pneus vale sempre. Carro novo também fura pneu e também fica sem água no radiador.

Com quantos dias de antecedência devo calibrar os pneus? Calibre na véspera ou no dia, sempre com os pneus frios. Pneu que já rodou alguns quilômetros está quente, e a leitura sai maior do que a real.

Posso viajar com o estepe temporário montado? Só até a borracharia mais próxima. Ele tem limite de velocidade próprio, normalmente 80 km/h, e não foi feito para longas distâncias.

Vale a pena contratar assistência 24 horas antes de viajar? Se o seu seguro não cobre reboque ou cobre pouca quilometragem, vale checar. Reboque particular numa rodovia distante costuma custar mais caro do que o serviço anual.

Como sei se o pneu está velho demais? Procure o código DOT na lateral. Os quatro últimos dígitos trazem a semana e o ano de fabricação. Somado a isso, olhe o estado: ressecamento e rachaduras finas na lateral indicam que a borracha já perdeu elasticidade, mesmo que o sulco esteja bom.


É dono de oficina e quer transformar preparação de viagem em serviço recorrente?

O período de férias e feriados prolongados é quando a revisão preventiva mais vende. O que costuma faltar não é cliente, é organização: saber quem passou na oficina no ano passado, o que foi feito em cada veículo e quando avisar cada um.

Na AutoBaze, o histórico fica registrado por placa, a ordem de serviço puxa a peça do estoque e o aviso ao cliente sai pelo WhatsApp direto do sistema.

Agende uma demonstração e veja funcionando com a rotina da sua oficina.

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